Mensagem: A Bênção do Sacrifício (Gn. 22)

Introdução:  Penso que a palavra sacrifico é muito familiar a todos nós.  Quem aqui, todos os dias não vive algum nível de sacrifico voluntário?   Trabalhar exaustivamente para dar uma boa educação e bem-estar para os filhos e fazer dieta são exemplos de sacrifícios voluntários que muitas vezes fazemos.  São sacrifícios voluntários e que trazem resultados satisfatórios, que nos dão prazer, que nos beneficiam direta ou indiretamente.

Entretanto, existe um tipo de sacrifício que não é escolhido por nós,que não nos dá prazer, mas que assim como os voluntários trazem muitos benefícios para a nossa vida.  Estou falando do sacrifício da provação.   Um sacrifico muitas, vezes indigesto, mas que pode ser muito abençoador.

Abraão foi alguém que passou por uma situação como essa.   Quando tinha aproximadamente 75 anos o Senhor lhe apareceu e lhe prometeu um filho.  Sua mulher era estéril.  A promessa se cumpre quando Abraão já estava com 100 anos de idade.  Imagine o nível de expectativa que Abraão e Sara devem ter alimentado.  Agora, depois de tudo o que eles passaram, Deus estava pedindo que Abraão entregasse o seu único filho em sacrifício a ele.

Para o Cristão todo sacrifício/ provação é uma benção na sua vida.

Que lições podemos extrair deste relato?

1) O Sacrifício é um privilégio dos íntimos – v.1,11– “Passado algum tempo, Deus pôs Abraão à prova…”;   “Mas O Anjo do Senhor o chamou do céu:  Abraão! Abraão!”

*  Abraão mantinha um relação muito estreita com Deus.  Era um homem que andava com Deus, que orava, que temia ao Senhor.

*  Só fazemos sacrifícios por quem amamos de verdade.  É claro que estou falando de sacrifícios feitos por amor.

* De certa forma podemos medir nosso grau de compromisso com alguém pelos sacrifícios que fazemos por ele.  O quanto você tem se sacrificado por quem você ama?   Você tem aberto mão de você mesmo, do seu bem estar e comodidade em benefício daqueles que você afirma amar?

*  Transferindo isto para Deus, embora a salvação seja pela graça, o nosso sacrifício para Deus demonstra o nosso amor por ele.  O amor tem que ser provado o tempo todo.  Se temos intimidade com Deus, podemos esperar algum nível de sacrifico. Isto é graça.

Fl.1.29  – “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por cristo e não somente de crerdes nele”

Abraão conheceu a graça de Deus por meio do sacrifício.
*  Foi a intimidade o grande diferencial na provação de Abraão.  Ele sabia que quem o chamava, chamava pelo nome.
* Agora, para mim a maior prova desta intimidade, era o fato de Abraão conhecer de verdade a Deus. Abraão conhecia o caráter de Deus. Ele sabia que O Senhor se distinguia de todas as outras divindades tribais da época.  Era comum naqueles dias os sacrifícios humanos às divindades. Mas o Deus de Abraão era diferente.  Deus não pedia esta tipo de sacrifico.  Abraão sabia disso.  Vemos claramente isso no verso 5:  “Disse ele a seus servos:  “Fiquem aqui com o jumento enquanto eu e o rapaz vamos até lá. Depois de adorarmos, voltaremos”. Abraão sabia que o seu Deus era diferente e, que ele voltaria com seu filho são e salvo.

2) Há uma estreita ralação entre sacrifício/provação e adoração – v.5 “…Depois de adorarmos, voltaremos”.  – No Antigo testamento a adoração se dava, sobretudo por meio de sacrifícios.  Quando o adorador ia até o altar de Deus, levava um animal para ser sacrificado.  Este era um ritual comum.  Trazendo esta relação para o N.T. podemos que há uma estreita relação entre o sofrimento do cristão e a adoração.  O que estou querendo dizer é que toda vez que você passa por uma provação e você não perde essa consciência de quem Deus é, o teu sofrimento se transforma em culto a Deus.  Embora não sejamos masoquistas, desejando o sofrimento, quando ele chega até nós, devemos vê-lo sobretudo como um ato de culto a Deus.

Você pode perguntar:  Como que Deus pode se agradar do meu sofrimento?  Que Deus sádico é este?   Na verdade, não é que Deus tenha prazer no teu sofrimento, mas é que o nosso sofrimento nos identifica com Cristo, que também sofreu e, sempre que  ocorre a nossa identificação com Cristo, Deus se agrada disso.  Portanto,  o nosso sofrimento glorifica a Deus, por conta desta identificação.

3) Algumas vezes passamos pelo sacrifício/provação porque existem coisas que postas  entre nós e Deus  – v. 2 – “Então disse Deus: ‘Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá.”

• Lembre comigo das circunstâncias do nascimento de Isaque.  Sara era estéril e já estava velha, já  podendo ter  filhos.  Desde a promessa de Deus de que ela teria um filho havia se passado 25 anos.  Imagina comigo o nível de afeto, de carinho, o nível de mimo que esta menino não recebeu.    Era inevitável que este garoto não se tornasse um ídolo dentro daquela casa.   Deus sabia disso.    Deus já via em Abraão o mesmo potencial que nós temos de darmos mais valor às bênçãos do que ao abençoador.  Deus amava Abraão e como um pai amoroso colocou o filho a prova.  Abraão precisava passar por aquele teste. Deus já conhecia o seu coração, agora era a hora dele  próprio se conhecer.

4) Não devemos ficar isolados em tempos de provação – v. 3 – “levou consigo dois de seus servos” -  O ser humano tem esta tendência.  Em regra, ele se isola quando passa por provações.  Tem gente que tem uma capacidade enorme de entrar numa concha e ali ficar esperando a turbulência passar.  Conheço gente que não se abre de jeito nenhum.  Passa por sérios problemas sozinho.

Sabe qual a melhor maneira de passar por um vale?  Levando com você pessoas que você confia.  Quando tentamos passar sozinhos, mais difícil fica este momento.

Por isso, abra o coração, compartilhe a sua dor, fale para alguém das tuas lutas e você verá o quão terapêutico isso será para você.

5) Encare suas batalhas de frente – v. 4 – “ No terceiro dia de viagem, Abraão olhou e viu o lugar ao longe.”

Se por um lado tem gente que se isola quando passa por provações, por outro, tem gente que sequer encara os problemas como tais.  Aqui temos que tomar um cuidado e fazermos uma distinção.  Uma coisa é o cara ser otimista e ter a certeza que no final tudo vai dar certo;  outra coisa muito diferente é negar o problema.  Uma coisa é ter fé que Deus vai dar um jeito na situação, outra coisa é, ou por covardia ou irresponsabilidade negar o problema.  Abraão, mesmo de longe olhou atentamente para o lugar do sacrifico.  Talvez os hiper-otimistas possam dizer que  ele  estava antecipando um problema que ainda não estava acontecendo, entretanto, penso que Abraão estava encarando de frente o seu gigante e toda vez que agimos assim ficamos mais fortalecidos.  Olhe só o tamanho do gigante:  nos versos 7 e 8 vemos:  “Isaque disse  a seu pai Abraão: “Meu pai!” – “Sim, meu filho”, respondeu Abraão. Isaque perguntou: “As brasas e a lenha já estão aqui, mas onde está o cordeiro para o holocausto?” 8 Respondeu Abraão: “ Deus mesmo há de prover o cordeiro para o holocausto, meu filho”.  E os dois continuaram a caminhar juntos.”
Imagine por um momento, um pai ter que dar esta resposta para um filho.  Este era o tamanho do gigante de Abraão.

6) Os sacrifícios que agradam a Deus envolvem necessariamente obediência e fé  (v.  3,7,8) – “Na manhã seguinte, Abraão levantou-se e preparou o seu jumento. Levou consigo dois de seus servos e Isaque, seu filho.  Depois de cortar a lenha para o holocausto, partiu em direção ao lugar que Deus lhe havia indicado”.  V.3

“Isaque disse a seu pai Abraão: ‘Meu pai’; ‘Sim meu filho’, respondeu Abraão.  Isaque perguntou: ‘As brasas e a lenha estão aqui, mas onde está  o cordeiro para o holocausto?’ Respondeu Abraão: ‘Deus mesmo há de prover o cordeiro para o holocausto, meu filho’. E os dois continuaram a caminhar juntos.” V. 7,8

*   Deus deu uma ordem a Abraão e ele prontamente obedeceu.  Não questionou, nem relutou, simplesmente obedeceu

*  O mesmo Deus que faz promessas e as cumpre, exige de nós obediência.  Até aqui Deus só havia aparecido a Abraão para lhe fazer promessa e provavelmente, Abraão estivesse esperando por mais uma ao ser chamado.  Só que desta vez o chamado era diferente, era para obediência.  A  nossa relação com Deus é uma via de mao dupla.   Se por um lado ele é riquíssimo em abençoar, por outro nesta relação, Ele vai fazer algumas exigências.  Ele não abre mao de ser obedecido.

*  Agora, Fé e Obediência se confundem, se misturam e não cabe a nós tentar desassociar uma da outra.  Se dizemos que temos fé, temos que obedecer ao Senhor.

*  Muitos querem ter Jesus apenas como seu salvador, não se submetendo ao senhorio Dele na  sua vida.

Fl.3.8 – “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para conseguir Cristo”

• Deus espera de você obediência.

Fl.2.5-8 – “Tende em vós o mesmos sentimento que houve em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual  a Deus; antes, a si mesmo esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz”

7)  Sacrifícios/ provações são uma excelente oportunidade de aprendermos a dar o nosso melhor  – v.2 –-  Agora, a identificação é com o Pai.  Se a pouco vimos que o sofrimento nos identifica com o sofrimento do filho de Deus, agora, vemos que quando temos que abrir mão coisas extremamente valiosas para nós, nos identificamos com o Pai que deu o que tinha de mais valioso, seu Filho.  Jo. 3:16 nos traz este relato.

Agora, não se esqueça que os sacrifícios feitos para Deus se transformam em pesos de glória.

No verso 16 lemos:  “e disse: ‘Juro por mim mesmo, declara o Senhor, que por ter feito o que fez, não me negando seu filho, o seu único filho, esteja certo de que o abençoarei e farei seus descendentes  tão números como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar.  Sua descendência  conquistará  as cidades dos que lhe forem inimigos e, por meio dela, todos os povos da terra serão abençoados , porque você me obedeceu.”